O Rancho e a colher

«A nossa colher de pau» história conhecida à mais de trezentos anos, uma actividade que a Câmara Municipal de Vila do Conde desenvolve em conjunto com as escolas, e que tem por objectivo rememorar a tradição. Por Alvará Régio de 5 de Setembro de 1704, o rei D. Pedro II institui a feira Franca de Santo Amaro, que se realizava ao dia 20 de cada mês, a entrada da Vila, recebendo todos os moradores das vizinhanças que a ela deviam a correr, com os seus gados e outras «...coisas que mais tivessem para vender. A qual se fazia junto de uma capela de Santo Amaro que ficava á entrada da Vila. Com o passar dos anos, as feiras foram perdendo algum esplendor, e a sua realização tornou-se menos frequente, mas o seu carácter socializante havia de permanecer, já que era um local privilegiado para travar «conhecimentos», Onde as conversas decorriam muitas vezes em rimas, e as colheres de pau eram o «meio de transporte» das mensagens que os rapazes ofereciam às raparigas com quem mais simpatizassem, pretexto para começar namoros e amores ao som das gaitas de foles e bebendo vinho acompanhado de pão e figos. Hoje, restam as «colheres» decoradas pelos alunos das nossas escolas, que procedem á sua comercialização à entrada da feira, que é sempre realizada, no dia 20 de Janeiro, juntamente com a festa de Santo Amaro. Tradição esta, que o rancho de São Salvador de Árvore procura manter viva nas suas danças.

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